O que me vai na alma...

domingo, 20 de julho de 2008

O mais importante é invisível!


"- O deserto é belo - acrescentou.

É verdade. Sempre gostei do deserto. Sentamo-nos numa duna de areia. Nada se vê. Nada se ouve. E, no entanto, algo irradia beleza em silêncio...

- O que empresta beleza ao deserto - disse o principezinho - é ter um poço escondido em qualquer sítio...

Fiquei surpreendido por compreender, subitamente, aquela misteriosa irradição da areia. (...)

- Sim - respondi ao principezinho -, quer se trate da casa, das estrelas ou do deserto, o que lhes empresta a beleza é invisível!"


[Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho]

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Dor de cotovelo

[No ginásio...]

Ela: Olha, eu conheço aquela! É professora, estava nas ********!
Eu: Sim, também conheço, foi minha colega na escola [X]. Não é nada simpática!
Ela: Também fiquei com essa impressão, é estranha!
Eu: Estranha e deve ter a mania que é boa!
Ela: Ya, olha para aquela barriga durinha! Dasse...
Eu: E ainda por cima usa aqueles tops que lhe ficam tão mal...
Ela: Podes crer! E as pernas?!
Eu: Porra! Onde está a celulite?!
Ela e Eu (ao mesmo tempo): Gaja nojenta! [Gargalhada]
Eu: Nós somos horríveis!
Ela: Vê bem o que conseguimos dizer da pobre mulher em menos de 2 minutos!
Eu: A inveja, ai a inveja!!!!!
[Gargalhada]

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sair da casca


E se uma pessoa que não visses há muito tempo te dissesse:

- Olha, a [Nikita] saiu-se das cascas!


Como interpretarias isso?! Mesmo que to dissessem com um sorriso nos lábios, um abraço apertadinho e dois beijinhos bem barulhentos?!


A mim disseram-mo hoje... e fiquei confusa... :S
Se, por um lado, interpretei como um elogio, por outro lado, não gosto desta expressão, para mim tem um sentido denotativo... Digo-o de alguém quando acho que a pessoa em questão se está a revelar outra, normalmente diferente negativamente de quem eu pensava que essa pessoa era.
[Mas podem ser manias de quem valoriza muito o peso e o significado das palavras...]

sábado, 12 de julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Há momentos assim...


"Há momentos em que parto não sei para onde. Navegação espiritual. Ou dispersão na terra abstracta, a única que se vê quando não se vê. São as grandes caçadas dentro de mim mesmo, a busca da magia perdida, uma palavra cintilante, uma perdiz imaginária, um sopro, um ritmo, uma espécie de bafo. Como o teu. Às vezes sinto-o, outras não. Mas sei que estás aí, algures, enroscado na minha própria solidão."


[Manuel Alegre, Cão como Nós]

terça-feira, 8 de julho de 2008

Empatia


"A empatia só se cria se,

diante dos nossos olhos,

tivermos outros olhos,

se tivermos um rosto humano."


[Alice Vieira]



[Obrigada, Mestre, por teres partilhado comigo estas palavras! Foi apenas uma das coisas que aprendi hoje contigo! Parabéns!]

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O regresso...


"All good things comes to an end!"

... é sempre a primeira frase que me vem à cabeça quando regresso de viagem...


Nos últimos momentos, já sinto nostalgia dos espaços, das pessoas, dos aromas e sabores que me acolheram durante as minhas estadias fora de casa...

Depois, penso nas pessoas que me aguardam, nas saudades que já sentia, na alegria do reencontro...

E um misto de sentimentos apodera-se de mim: tristeza, nostalgia do que vou deixar; alegria e ansiedade em relação ao que vou reencontrar...


Quando chego, gostaria de ter força e energia para transmitir o entusiasmo da viagem, das experiências vividas... mas... não consigo... durante os primeiros tempos custa-me falar nisso, custa-me partilhar, porque, no meu íntimo, ainda estou a processar, ainda estou a moldar-me ao que de novo vivenciei, reconstruindo-me, tornando-me numa pessoa um pouco diferente, enriquecida (ou não) com essas novas experiências e vivências...

Os espaços, os gestos, os contactos... tudo parece diferente, estranho... O meu quarto parece maior; os meus pais parecem diferentes, mais bonitos, mais novos; eu sinto-me estranha, não sei o que dizer, como me comportar... Durante os primeiros tempos, sinto-me quase a "vaguear" sobre mim... nem parece que sou eu que tenho controlo sobre o que faço e digo... sinto que me estou a readaptar ao meu habitat...


Até que, a seu tempo, horas, dias, semanas, depende... tudo volta à normalidade!

Renasço EU, a mesma pessoa de sempre na essência, mas enriquecida com todo o processo de contacto com outras pessoas, outras formas de estar na vida, outras culturas... enfim, enriquecida com todo o processo de construção de novas aprendizagens!

Só aí, nesse momento, consigo falar com entusiasmo do que vivi, só aí consigo partilhar as experiências e aprendizagens!


É nesse momento que os olhos brilham, pois é o momento do reencontro comigo mesma!