O que me vai na alma...

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Receita de Natal


Prepare uma forma
do tamanho do mundo

Barre com muito amor
Polvilhe, mesmo levemente,
com fraternidade

Bata, em separado,
uma boa dose de amizade

Junte um sorriso de criança
Com flocos de ternura
e tolerância

Misture tudo numa forma
até que a massa fique
consistente

Faça a cobertura
com os pedaços de Paz
que conseguir reunir!

Leve a lume brando
infinitamente.

Ah! Não é necessário sal (mal)
Sirva-se em todo o lado
todo o ano

É esta a minha
Receita de Natal!

[João Moutinho]

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Lição de vida!

Eu não conheço o segredo do sucesso,
mas o segredo do fracasso é tentar fazer sempre a vontade dos outros.


[Bernard Shaw]

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Amor é... (11)

... um conto de fadas!!!!! :)

Tal como narra a letra da canção desta minha recordação de infância:

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele até chorou...

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
(Cinderela)

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

[Carlos Paião]

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Verdade(s)

"Tout est vrai et rien n'est vrai!"

[Albert Camus, Étranger]

Tudo depende da perspectiva em que nos colocamos, tudo depende daquilo em que queremos acreditar e daquilo por que queremos lutar, tudo depende de cada um de nós!

Se a verdade fosse a mesma para cada um de nós, como seria cinzento e monótono o mundo... mas também seria com certeza mais harmonioso!

[Um clássico repleto de deixas para nos fazer pensar sobre a nossa existência e sobre a forma como nos posicionamos no mundo... esta é apenas uma delas! Recomendo vivamente!]

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O desperdício da vida

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está
no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade".

[Carlos Drummond de Andrade]

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O amor não é... (1)

... um sentimento de posse!


"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca."

[Antoine de Saint-Exupéry, in Cidadela]

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


[este "segredo" foi retirado daqui]

domingo, 20 de julho de 2008

O mais importante é invisível!


"- O deserto é belo - acrescentou.

É verdade. Sempre gostei do deserto. Sentamo-nos numa duna de areia. Nada se vê. Nada se ouve. E, no entanto, algo irradia beleza em silêncio...

- O que empresta beleza ao deserto - disse o principezinho - é ter um poço escondido em qualquer sítio...

Fiquei surpreendido por compreender, subitamente, aquela misteriosa irradição da areia. (...)

- Sim - respondi ao principezinho -, quer se trate da casa, das estrelas ou do deserto, o que lhes empresta a beleza é invisível!"


[Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho]

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Há momentos assim...


"Há momentos em que parto não sei para onde. Navegação espiritual. Ou dispersão na terra abstracta, a única que se vê quando não se vê. São as grandes caçadas dentro de mim mesmo, a busca da magia perdida, uma palavra cintilante, uma perdiz imaginária, um sopro, um ritmo, uma espécie de bafo. Como o teu. Às vezes sinto-o, outras não. Mas sei que estás aí, algures, enroscado na minha própria solidão."


[Manuel Alegre, Cão como Nós]

domingo, 29 de junho de 2008

Os nossos corpos...




"Os nossos corpos. No cemitério de pianos, a noite era negra, era absoluta. Dentro desse tempo opaco, os nosso corpos existiam. Os meus braços salvavam-se ao envolvê-la. As minhas mãos procuravam paz na superfície certa das suas costas. Os nossos lábios sabiam como encontrar-se. As nossas bocas construíam formas: tantos detalhes: formas que ninguém em toda a história do mundo conseguiu imaginar, formas impossíveis de serem imaginadas por pessoas vivas com pensamentos comuns de pessoas, formas irrepetivelmente concretas. Os nossos lábios. As nossas línguas sentiam o sabor das nossas bocas: a saliva morna, o sangue morno. E os meus lábios alastravam. Os meus lábios estendiam-se na pele do seu rosto. Segurava-lhe a cabeça: os dedos entre os cabelos: e os meus lábios misturavam-se na pele do seu rosto. A palma da minha mão direita descia pelo seu corpo, pela linha do seu corpo, passava pela cintura e descia, procurava o fim do vestido, encontrava as pernas dela e subia. Subia, pelo interior das suas coxas. E os meus lábios estavam ainda e também nos seus lábios porque respirávamos a mesma respiração. A ponta dos meus dedos deslizava, subia pelo interior quente, liso das suas coxas. Esse caminho era longo. Ela pousava uma mão à volta do meu braço. A ponta dos meus dedos deslizava e, no momento em que tocava o algodão das suas cuecas, sentia a mão dela a apertar-se à volta do meu braço e, ainda, respirávamos a mesma respiração. Os meus dedos, apertados pelas suas pernas, sentiam, devagar, o centro das cuecas de algodão, suaves depois do algodão, quentes depois do algodão. A palma da minha mão, sobre as cuecas, sentia os pêlos por baixo das cuecas. Os meus dedos: o meu corpo todo: os meus dedos sentiam, devagar, o algodão quente, húmido. Os nossos corpos desenhavam-se a negro no negro. Um pedaço de céu escuro da noite entrava pela janela do cemitério dos pianos. Era essa quase nenhuma claridade que mostrava as sombras e os contornos do corpo dela no momento em que lhe levantava o vestido até à cintura e lhe deslizava as cuecas pelas pernas. E deitava-a sobre um piano: o seu corpo: o meu corpo: os nossos corpos."

[In: José Luís Peixoto, O Cemitério dos Pianos]


[Delicioso, impressionista, realista... Cada vez fico mais fã de José Luís Peixoto! Não pára de me surpreender... Tive de interromper a leitura para vir partilhar este excerto FABULÁSTICO!!!!]

sábado, 7 de junho de 2008

Urgentemente



"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão, crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer."


[Eugénio de Andrade, "Urgentemente" in Poemas]

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Então eu seria uma criança feliz


"Se à segunda-feira se pudesse correr livremente pelos prados e as flores desabrochassem numa explosão de cor
Se à terça-feira se contemplasse o céu no seu mistério de um azul sem fim
Se à quarta-feira se retirassem as máscaras e a verdade brotasse
Se à quinta-feira a alegria entrasse nos corações
Se à sexta-feira todos se dessem as mãos
Se ao sábado os pais contassem aos filhos histórias de encantar
Se ao domingo a beleza do silêncio se renovasse em cada ser

Então eu seria uma criança feliz,
e a minha canção voaria por sobre as casas,
dançaria entre os ramos das árvores,
e à hora do crepúsculo repousaria sobre os mares do mundo,
tornada canção de embalar,
a encher de paz e de ternura os sonhos das crianças."

[Anónimo]

quinta-feira, 5 de junho de 2008

For you...















[Fernando Pessoa, in Odes de Ricardo Reis]

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Amor é... (8)


... entrega total!

"- Faz de conta que sou abelha.
- Eu serei a flor mais bela.

- Faz de conta que sou cardo.
- Eu serei somente orvalho.

- Faz de conta que sou potro.
- Eu serei sombra em Agosto.

- Faz de conta que sou choupo.
- Eu serei pássaro louco,
pássaro voando e voando
sobre ti vezes sem conta.

- Faz de conta, faz de conta."


[Eugénio de Andrade, Faz de Conta]

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Homens/Mulheres SÓS...

"Prometo não falar de amor de gostar e sentir
Portanto não vou rimar com dor ou mentir
Joga-se pelo prazer de jogar e até perder
Invadem-se espaços trocam-se beijos sem escolher
Homens temporariamente sós / que cabeças no ar
Até são retratos de solidão interior
Não há qualquer tragédia / Mas um vinho a beber
Partidas regressos conquistas a fazer
Tudo anotado numa memória que quer esquecer
Homens sempre sempre sós preferem perder
Homens temporariamente sós / que cabeças no ar
Homens sempre sempre sós / bolas de ténis no ar
Muito abatidos saltam e acabam por enganar
Homens temporariamente sós / ai que cabeças no ar
Homens sempre sós nunca conseguem casar"
[GNR, Homens temporariamente sós]

[Como já disse a propósito de um post anterior, também aqui "Homens" pode ser substituído por "Mulheres"... Tal como o Amor, a Solidão também não é machista... ainda mal para nós, mulheres!]

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Há momentos assim... (2)

CANSAÇO
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
[Álvaro de Campos]

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Amor é... (7)

... cruel...

"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano."

[Luís de Camões, Os Lusíadas, 3, CXIX]

domingo, 4 de maio de 2008

Há momentos assim...

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
(...)

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
[José Régio, Cântico Negro]

sábado, 19 de abril de 2008

Da origem...


"Outros que não eu teriam falado de “raízes”... Não emprego esse vocabulário. Não gosto de raízes e da imagem ainda menos. As raízes enfiam-se na terra, contorcem-se na lama, crescem nas trevas, mantêm a árvore cativa desde o seu nascimento e alimentam-na graças a uma chantagem. “Se te libertas, morres!” As árvores têm de se resignar, precisam das suas raízes; os homens não. Respiramos a luz, cobiçamos o céu e quando nos metemos na terra é para apodrecer. A seiva do solo não nos sobe pelos pés em direcção à cabeça, os pés só nos servem para andar. Para nós, só as estradas contam. São elas que nos guiam – da pobreza à riqueza ou a outra pobreza, da servidão à liberdade ou à morte violenta. Elas fazem-nos promessas, levam-nos, empurram-nos e depois abandonam-nos. E então morremos, tal como nascemos, à beira de uma estrada que não escolhemos. (…) Ao contrário das árvores, as estradas não surgem da terra, ao acaso das sementes. Tal como nós, têm uma origem. Origem ilusória, já que uma estrada nunca tem um verdadeiro começo; antes da primeira curva, lá para trás, já havia outra curva e ainda outra. Origem inatingível, pois que a cada encruzilhada se juntam outras estradas, que vêm de outras origens. Se tivéssemos que contar todas estas estradas confluentes, daríamos cem vezes a volta à Terra."

[Amin Maalouf, Origens]

domingo, 13 de abril de 2008

Hoje é...


... o Dia Mundial do Beijo!


Deixo alguns pensamentos que encontrei sobre o BEIJO:


"O beijo é um truque delicioso arquitectado pela natureza para interromper a fala quando as palavras se tornam supérfluas." [Ingrid Bergman]

"O beijo é uma forma de diálogo." [George Sand]

"O beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido." [Jean Rostand]

"O primeiro beijo, seja isso bem claro, não o dão os lábios mas os olhos." [Bernardi, Don Juan]


beijo beso bisou bacio kiss kuß poljub kyss kisu